Retrospectiva 2020 – Mercado de café no Brasil | Atlantica
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Retrospectiva 2020 – Mercado de café no Brasil

por dez 17, 2020Relatório de mercado0 Comentários

O ano em que a Atlantica Coffee completou 20 anos, foi também o período que passamos pela pandemia da Covid-19, de mudanças globais distintas de tudo que já enfrentamos, como nos hábitos de consumo durante o isolamento, novo ritmo de trabalho, desafios logísticos, inseguranças políticas, econômicas e financeiras. Durante o ano, nossas estratégias foram constantemente revisitadas para acompanhar o intenso dinamismo do cenário, buscando a excelência em nosso trabalho, a comunicação mais próxima com os nossos clientes, mas sem inverter as prioridades – a vida sempre veio em primeiro lugar.

Mesmo com as dificuldades do cenário global, a boa performance e resiliência da cadeia cafeeira do Brasil foram mantidas. A colheita, produção, produtividade, qualidade e dados mensais de exportações em volume e receita cambial corroboraram a competência e tradição da cafeicultura brasileira para abastecer o mercado mundial, mesmo às sombras das incertezas que acompanharam a COVID-19.

No Brasil, o agronegócio continuou sendo o setor mais dinâmico e positivo da economia brasileira, sendo o café, o 5º produto da lista (cerca de 4,7% de participação), contribuindo significativamente para a retomada da economia do país, a geração de empregos e renda.

COVID-19 NO BRASIL
Em 26 de fevereiro de 2020 foi confirmado o primeiro caso de Covid-19 no Brasil, um homem de 61 anos que viajou a trabalho à Itália. Em 17 de março, foi registrada a primeira morte pela doença no país. Imediatamente, as empresas e órgãos do governo passaram a adotar o home office, o que inclui os colaboradores da Atlantica Coffee, e medidas preventivas. As escolas suspenderam as aulas, o comércio foi fechado e a aglomeração foi proibida.

A falta de máscaras, álcool, leitos de UTI e médicos geraram um grande estresse nacional, que além de enfrentar a doença, também tinham de lidar com fortes tensões políticas e econômicas. O governo aprova o auxílio emergencial de R$ 600. O presidente pede por relaxamento nas medidas de isolamento para não comprometer a economia. Entre junho-julho, a COVID-19 começa a avançar lentamente no campo, trazendo grande preocupação com a colheita de café do Brasil, quando há uma demanda intensa por mão-de-obra.

Uma sensação de relaxamento começa a tomar conta dos brasileiros e o medo parece ter sido superado e as pessoas vivem um novo normal. Em dezembro, o país acumula mais de 7 milhões de casos e 184 mil mortes. As vacinas, que já estão sendo aplicadas na população de países desenvolvidos, por aqui ainda estão em negociação. Depois do início da vacinação, a previsão do governo é que a vacinação seja concluída em 16 meses.

ECONOMIA BRASILEIRA
Em meio a muitas tensões políticas brasileiras e internacionais, a pandemia movimentou as bolsas mundiais e afetou as moedas dos países emergentes, sendo o real brasileiro a moeda mais desvalorizada do mundo no ano em relação ao dólar, uma queda acumulada de 40%, que chegou a ser cotado próximo dos 6 reais ao longo da pandemia.

Em uma tentativa de aquecer o consumo interno, a Selic, taxa básica de juros da economia, alcançou o menor patamar histórico, a 2% a.a.. O corte teve como objetivo tornar o crédito mais acessível para incentivar a produção e consumo, estimulando a atividade econômica no país. Ao mesmo tempo, reduzia ainda mais a atratividade para a renda fixa e o investimento estrangeiro nos títulos de dívida pública brasileiros. O aumento das despesas do governo brasileiro com o auxílio emergencial de R$600 e outros programas de apoio durante a pandemia, somado à queda na arrecadação, pesaram nos cofres públicos, chamando pela reforma tributária no Brasil. BRL/USD voltou a fortalecer e a operar na casa dos R$5 em dezembro.

SAFRA BRASIL 2020/2021 (Julho/junho)
O ciclo de bienalidade positiva, as boas condições climáticas que prevaleceram na maioria das regiões produtoras, o investimento em tecnologia, o aumento da área de produção em 3,9% (CONAB) e a uniformidade das floradas favoreceram a safra recorde brasileira no ciclo 2020/2021. A qualidade de bebida e porcentagem de peneiras graúdas foram superiores às do ciclo anterior, haja vista a grande uniformidade de maturação encontrada nas lavouras neste ano.

A colheita de arábica no Brasil também fluiu muito bem com a ajuda do tempo seco. Não houve grandes dificuldades com mão de obra para a colheita de arábica em virtude da pandemia, mas sim a redução na contratação de trabalhadores migrantes de outros estados e cidades, sendo dada preferência para a mão de obra local. As adaptações às medidas preventivas durante a colheita saíram mais caras; afinal, com a limitação da migração, a oferta de mão de obra foi menor, assim como a quantidade de pessoas que se pôde transportar nos veículos.

ESTIMATIVA DE PRODUÇÃO 2020/2021
Rabobank: 67,5 mi
CONAB: 63,08 mi total (+27,9%), arábica 48.7 m
USDA:  67.9 mi total (+12%), arábica 47.8 m
IBGE: 60.7 mi total (21,6%), arábica 46.2 m


ATLANTICA COFFEE 2020 (em sacas de 60 kg)
Total comercializado : 2 mi
Total originado: 1.412 mi
Originação de cafés certificados: 617.960 k
Total de países de destino: 45

MERCADO INTERNO
As altas do dólar em relação ao real no início da pandemia serviram de estímulo aos cafeicultores brasileiros para vender bons volumes da safra, se capitalizando rapidamente. Com o passar do tempo, capitalizados e com a queda nos preços do café no M.I., os produtores ficaram pouco ávidos para novos negócios, mantendo o mercado interno travado.  Com a chegada da safra recorde, faltou espaço nos armazéns gerais das Matas de Minas/Zonas da Mata, Cerrado, Mogiana e Sul de Minas, o que contribuiu também para a retração de novos negócios, e formando longas filas de caminhões nas entradas dos armazéns, mas logo, se normalizou.

LOGÍSTICA NO BRASIL
As inseguridades globais desencadeadas pela pandemia de Covid-19 e a forte desvalorização do BRL/USD ocasionaram a queda da demanda no Brasil por bens importados, aumentando os blank-sailings e diminuindo a chegada de contêineres, ocasionando uma intensa escassez de contêineres padrão alimento e de espaço em navios para a maioria das rotas, principalmente para os EUA, o que dificultou a fluidez dos embarques de café, e parecia se agravar a cada dia mais. Até os armadores de primeira linha tiveram falta de unidades. De acordo com a Datamar, cerca de 251 mil contêineres deixaram o país em agosto, enquanto apenas 172 mil chegaram. Segundo a CECAFÉ, as exportações brasileiras de café poderiam ter sido entre 10 a 15% melhores se não fossem os desafios da logística internacional.

CONSUMO DE CAFÉ
As medidas restritivas de isolamento trouxeram algumas dificuldades para o café, como o fechamento dos pontos de consumo fora do lar, gerando grande preocupação no mercado em torno da demanda de café. Na contramão do que se esperava, os anúncios de crescimento nas vendas de café para o lar das gigantes Starbucks e Nestlé, trouxeram grande otimismo mundial quanto à demanda de café no exterior, também ajudando a impulsionar surpreendentes altas. Os estoques de café verde nos portos dos EUA estão em ritmo de queda há 4 meses, segundo dados da GCA, o que pode demostrar demanda aquecida de café no maior consumidor mundial. Entretanto, o Rabobank estima queda 2% na demanda global no ano-calendário de 2020.

RESILIÊNCIA
Em meio a tantas incertezas econômicas, os contratos futuros se mostraram ainda mais estratégicos, não apenas para os exportadores e importadores, mas também bastante atrativos para os cafeicultores brasileiros no mercado a termo. Em um cenário de desafios logísticos, foi primordial atuar com antecedência nos bookings para garantir os embarques. Os negócios online, muito fortes em vários seguimentos, no café também vieram para ficar, não apenas para o e-commerce dos cafés especiais que ajudaram a compensar parte da queda de vendas nas cafeterias, mas também nas estratégias de vendas dos cafés comerciais.

SAFRA BRASIL 21/22 (Julho/junho)
As lavouras muito depauperadas em virtude da elevada safra 20/21 e as condições climáticas de elevadas temperaturas e seca vistas até então são muito desfavoráveis para a safra 21/22, que já é de ciclo de bienalidade negativa.  A disponibilidade de água no solo ao longo do ano esteve abaixo da normal. O fenômeno de La Niña, que deve atuar até o fim do verão no Brasil, pode comprometer ainda mais a produção com chuvas abaixo da média no Sul do país. Essas condições, além de serem estressantes para a espécie arábica, favorecem a evapotranspiração, reduzem a eficiência da planta, favorecem o ataque de pragas, etc. As condições climáticas também podem ter prejudicado e atrasado os tratos culturais, como adubações e pulverizações. Há relatos de alta incidência de bicho mineiro, que causa desfolha nas plantas. Em áreas irrigadas há grande preocupação com os reservatórios d’água, que se encontram baixos.

Em virtude das condições das lavouras, na maioria das regiões cafeeiras do Brasil foram realizadas podas drásticas. Os produtores relatam a expectativa no aumento de custo de produção para a próxima safra. A desvalorização do real frente ao dólar contribuiu para o aumento dos preços dos insumos. Também há dificuldade em encontrar mudas de arábica nos viveiros e o preço unitário está superior aos anos anteriores. Há pouco interesse para entrega em 2021, haja vista a expectativa em consenso dos produtores de haver significante quebra de safra no próximo ano. Entretanto, ainda aguardam o desenvolvimento dos chumbinhos das floradas que ocorreram para estimarem com maior precisão o tamanho da oferta da safra 21/22 e planejarem sua comercialização. Neste contexto, muitos acreditam em uma maior valorização dos preços de café.

ESTIMATIVA DE PRODUÇÃO ARÁBICA 21/22
Rabobank: 37,2 mi arábica (-15%)
Volcafe: 34,2 mi arábica (-33%).
Produtores em Minas Gerais: quebra de 30 a -40% arábica

A carga de 2020 nos desafiou e para cada um de nós teve um significado especial:

Logística – Resiliência
Desenvolvimento Organizacional – Foco nas pessoas
Trading – Conexão
Qualidade – Comprometimento
Comercial – Superação e engajamento
Fiscal/contábil – Determinação para seguir em frente e superar a distância entre os colaboradores
Financeiro – Confiança
Sustentabilidade – Força e visibilidade
Jurídico – Sinergia

Tudo isso segue em nosso contêiner de atitudes e desejos para 2021.

Vamos continuar acreditando e investindo na cultura do café!

Fiquem bem,
Equipe Atlantica Coffee

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